Pesquisa e responsabilidade social
Todas as organizações precisam ter bem claro, para si e para seus empregados,
o conceito de responsabilidade social. Devem ter consciência sobre os
reais efeitos de sua atividade na sociedade e no meio ambiente, e de seus
impactos nos planos local, regional e nacional.
As empresas estão convencidas de que seu papel se expandiu para incluir
muito mais do que a mera produção de bens e serviços. Inicialmente por
via de legislação federal e estadual, nos anos 80 e 90, as demandas
sociais colocaram o cidadão e o cliente no centro das atenções. Hoje,
para que as organizações possam cumprir de forma plena a sua missão
institucional, é preciso responder às demandas de seus controladores,
atender ao que delas esperam os cidadãos e, ainda, saber guiar-se e
inserir-se em movimentos sociais legítimos. Não é mais suficiente apenas
cumprir a lei: é preciso também adotar elevados padrões éticos e morais.
Desde o início da década de 90, a Embrapa tem desenvolvido ações para
melhorar sua interação com os segmentos da sociedade brasileira. Suas
40 unidades descentralizadas, distribuídas em todo o Brasil, criaram
conselhos de gestão que auxiliam na discussão dos planos diretores e
na determinação das prioridades de pesquisa. Essas iniciativas culminaram
com o novo estatuto da Empresa, em que o Conselho de Administração,
instalado no final de 1997, tem a função de canalizar as visões dos
diversos grupos sociais, auxiliando na definição de macropolíticas,
e negociar os meios para implementá-las.
A Embrapa tem sido devotada a objetivos claros, definidos a partir
da sua consciência de que a pesquisa agropecuária deve proporcionar
ao País, além de divisas, as condições de gerar alimentos que atendam
às necessidades de sua gente. De inserir, em definitivo, os produtores
que atuam sob regime de agricultura familiar no processo produtivo.
De promover o desenvolvimento socioeconômico rural comunitário. De gerar
oportunidades de emprego, renda, educação e bem-estar para uma população,
cuja dignidade social tem que ser prioridade absoluta.
Essa consciência está expressa em atitudes de seus empregados e em
ações previstas nos seus projetos, descritas nesta publicação. O Balanço
Social é um instrumento para que organizações comprometidas com a qualidade
de vida da sociedade apresentem, em uma forma padrão, os seus investimentos
na área. O da Embrapa não foge a isto. Adotando a metodologia do Instituto
Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas - Ibase, a Empresa publicou
seu primeiro Balanço Social em 1998, relatando as atividades de 1997.
No ano seguinte, em reconhecimento à parceria das diversas instituições
nele citadas e ao seu papel de coordenadora do Sistema Nacional de Pesquisa
Agropecuária, ela passou a chamá-lo de Balanço Social da Pesquisa Agropecuária
Brasileira. Essa edição, relativa às atividades de 1998, recebeu o Prêmio
Aberje 1999 da Região Centro-Oeste/Leste.
Graças a um esforço continuado, a Embrapa vem aperfeiçoando as metodologias
de apuração das contas referentes ao Balanço Social, sobretudo os "Impactos
das principais tecnologias desenvolvidas e transferidas para a sociedade".
Deles extraímos um conceito inovador, o do Lucro Social, que representa
os benefícios gerados por algumas das tecnologias e dos produtos e serviços
desenvolvidos pelas instituições de pesquisa e desenvolvimento, e incorporados
ao sistema produtivo.
No Balanço Social da Pesquisa Agropecuária 2000, na página 115, em
relação aos resultados obtidos apenas pela Embrapa, foi demonstrado
um Lucro Social de R$ 7,72 bilhões, que equivale a mais de onze vezes
o orçamento da Empresa, de R$ 666 milhões. Este é um dos melhores instrumentos
para que administradores públicos e cidadãos possam avaliar a real importância,
para o País, dos investimentos em pesquisa agropecuária e florestal.
Alberto Duque Portugal
Diretor-Presidente da Embrapa
Instituições do SNPA que participaram do
Balanço Social da Pesquisa Agropecuária Brasileira 2000:
Escola Superior de Agricultura de Mossoró (ESAM),
Empresa Baiana de Desenvolvimento Agrícola (EBDA), Empresa de Desenvolvimento
Agropecuário do Estado de Sergipe (Emdagro), Empresa Estadual de Pesquisa
Agropecuária da Paraíba (Emepa), Empresa de Pesquisa Agropecuária do
Rio Grande do Norte (Emparn), Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas
Gerais (Epamig), Empresa Pernambucana de Pesquisa Agropecuária (IPA),
Empresa de Pesquisa Agropecuária do Rio de Janeiro (Pesagro-Rio), Empresa
Matogrossense de Pesquisa e Assistência Técnica e Extensão Rural (Empaer-MT),
Universidade de Brasília (UnB), Universidade do Estado do Tocantins
(Unitins), Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Universidade
Estadual Paulista (Unesp), Universidade Federal da Paraíba (UFPB), Universidade
Federal do Ceará (UFC) e Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária
(Embrapa).
Agricultura
Familiar
Reforma
Agrária
Apoio
Comunitário
Segurança
Alimentar
Meio
Ambiente e Educação Ambiental
Educação
e Capacitação Profissional Externas
Educação
e Capacitação Profissional Internas
Bem-estar,
Saúde e Medicina do Trabalho
Impacto
das Principais Tecnologias Desenvolvidas e Transferidas à Sociedade
Demonstrativos
(Embrapa - Emepa
- Emparn - Epamig
- Pesagro-Rio)