Sistema
Plantio Direto
Desde
quando se iniciaram as primeiras experiências,
nos anos 70, o sistema Plantio Direto passou por muitos
estudos e testes, despontando-se o papel de produtores
pioneiros, os quais, em um profícuo processo
de integração tecnológica com órgãos
de pesquisa, indústrias de insumos e máquinas,
a assistência técnica oficial e privada
e outros serviços ligados à agricultura,
conseguiram superar muitas dificuldades e construir
uma sólida base de conhecimentos e de referências.
A iniciativa
em torno do Plantio Direto, exemplo para os países
tropicais de todo o mundo, tem refletido uma mudança
de comportamento dos produtores e técnicos
na busca da sustentabilidade da agricultura. Também
acarretou em um maior profissionalismo pela incorporação
de novas tecnologias e melhorias gerenciais dos fatores
e processos de produção, constituindo,
hoje, uma reconhecida alternativa para que se estabeleçam
políticas, favorecendo o desenvolvimento ambientalmente
sustentável, voltadas para a prosperidade da
agricultura, com evidentes benefícios para
toda a sociedade.
Destaca-se
nesse contexto a expressiva expansão do Plantio
Direto no Brasil, evoluindo de cerca de um milhão
de hectares com culturas anuais, no início
da década de 90, para mais de 12 milhões
no ano 2000. Além disso, o sistema passou a
ser utilizado em todas as culturas perenes, na cana-de-açúcar,
na recuperação de pastagens por meio
da rotação entre lavouras e pastagens,
no reflorestamento, na fruticultura, na olericultura,
constituindo-se em importante alternativa para a economia
de operações manuais, de tração
animal, tratorizadas ou aéreas. Dessa forma,
fica evidente sua universalidade e abrangência,
ensejando sua escolha como o mais potente instrumento
a ser fomentado no manejo racional das bacias hidrográficas.
Para
que essa fantástica expansão possa trazer
os benefícios desejáveis, em um ambiente
mais favorável a sua adoção e
seu aprimoramento, enseja-se a celebração
dos mais variados compromissos e parcerias, conforme
os exemplos dos Clubes Amigos da Terra (CATs) e similares
(cooperativas, associações, fundações,
grupos, etc.), que perseguem o desenvolvimento de
uma agricultura sustentável, próspera
e cada vez mais limpa, abrindo-se novos campos de
cooperação nas áreas de pesquisa,
ensino e de melhor equacionamento das pendências
existentes nos agronegócios brasileiros.
O Plantio
Direto compreende um conjunto de técnicas integradas
que visam melhorar as condições ambientais
(água-solo-clima) para explorar da melhor forma
possível o potencial genético de produção
das culturas (Primavesi, 2000). Respeitando os três
requisitos mínimos - não revolvimento
do solo, rotação de culturas e uso de
culturas de cobertura para formação
de palhada, associada ao manejo integrado de pragas,
doenças e plantas daninhas - o Plantio Direto
não deve ser visto como uma receita universal,
mas como um sistema que exige adaptações
locais. Essas têm sido executadas por iniciativa
dos próprios agricultores, por meio da integração
contínua de esforços com pesquisadores
e técnicos, possibilitando avanços palpáveis
no desenvolvimento e na transferência de tecnologias.
A
adoção do Plantio Direto expressa a
perfeita harmonia do homem com a natureza e proporciona
economias significativas para a sociedade como um
todo. Torna-se possível, assim, a minimização
de custos por unidade produzida a partir da maximização
da produtividade de insumos e de mão-de-obra.
Associa-se a isto a diminuição significativa
de consumo de petróleo (60 a 70 % a menos de
óleo diesel), o aumento do seqüestro de
carbono (aumento do estoque no solo e da matéria
orgânica em decomposição na superfície),
a diminuição expressiva da perda de
solo por erosão (90 % de diminuição
nas perdas estimadas em 10 t solo/t de grão
produzida), que evidenciam a possibilidade de se obter
uma agricultura sustentável e limpa, produzindo
alimentos de qualidade, com o menor impacto negativo
sobre o meio ambiente e o homem.
O sistema
permite também o cumprimento do calendário
agrícola, validando as recomendações
do zoneamento e sendo um atrativo para as seguradoras,
viabilizando a atividade agrícola. Por suas
reconhecidas características, comprovadas amplamente
pela pesquisa agropecuária brasileira, o Plantio
Direto é a mais importante ação
ambiental brasileira em atendimento às recomendações
da conferência da Organização
das Nações Unidas (Eco-92) e da Agenda
21 brasileira, indo ao encontro do que foi acordado
na assinatura do Protocolo Verde.
|